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Abolir o Vale do Silício - Wendy Liu

Um livro pré Covid e pandemia, pré corrida Web3, pré Explosão de IA e pré fraudes históricas como Theranos e FTC. Mesmo assim, consegue se manter atual, enquanto discute problemas do empreendedorismo startupeiro high stakes, Y Combinator e Vale do Silício.


A própria autora introduz o tema, que recomendo você assistir:




O livro "Abolir o Vale do Silício: como libertar a tecnologia do capitalismo", de Wendy Liu, conta a sua experiência como Founder de Startup e todo o processo de desenvolvimento da empresa e eventual venda: o sonho meritocrático e ingênuo de que basta trabalhar incessantemente à beira de um colapso para que eventualmente sua empresa encontre um market fit e magicamente dinheiro de investimento entraria pela porta para que você se torne a mais nova capa da Forbes, mesmo que cometendo crimes.


Abolir o Vale do Silício - Wendy Liu
Abolir o Vale do Silício - Wendy Liu

O livro é dividido em duas partes bastante definidas: o sonho furado de criar startup nos moldes atuais, e a eventual decepção e descoberta dos aspectos estruturais desse modelo que já há muito anos é questionado. Liu aprofunda a primeira parte, de uma que conheço bem - culpa por acreditar num modelo que não funciona, e carregado de auto piedade em busca de memórias nitidamente dolorosas.


Deixando claro: este livro é uma crítica ao Capitalismo, mas principalmente uma crítica ao modelo atual de capitalismo do Vale do Silício que busca usar a tecnologia indiscriminadamente para o lucro, mesmo que isso coloque em risco comunidades, países ou o próprio planeta.


Nesse contexto, o próprio modelo no qual o Vale é baseado precisa ser questionado, e é isso que a autora tenta fazer no livro. E o que não faltam são evidências da ganância, estupidez e mal caratismo deste mercado.






Para mim, a primeira metade do livro foi um martírio para ler. Um história parecida com tantas outras que já ouvi, mentorei e trabalhei junto: sonho de criar um produto, nenhuma preocupação ética, crença delirante de grandeza e propósito, admiração por falsos profetas do capitalismo startupeiro, pronto para qualquer coisa para ter sucesso. Eu já estive lá e sei o quão ruim isso é para o indivíduo. Mas Liu explora esse tema sob a perspectiva pessoal, que é interessante, mas preferia que fosse mais curta.


A segunda metade do livro tem um foco diferente, e em vários aspectos é muito melhor.

De sua decepção empreendedora, ela encadeia seu pensamento a partir da experiência no mundo de startups para criticar o movimento de aceleradoras como produção de mão de obra para Big Techs, os sonhos de grandeza e riqueza instantânea de seus colegas no mercado, as crenças meritocráticas e culturais que dominam o imaginário atual, o estagio de desenvolvimento e influência de Big Techs no mundo e finalmente o componente estrutural disso tudo: o Capitalismo.


Por fim, ela propões caminhos para transicionar o modelo atual para uma realidade diferente, ainda que distante e utópica. Pessoalmente eu gostaria de maior profundidade, mas entendo que o livro é direcionado para um público que está se deparando com os problemas desse mundo agora, e serve de trampolim para leituras mais profundas. Apesar disso, o livro traz uma racionalização dos problemas bastante contundente, e é carregado de referências para leitura.


Para aquela pessoa que está começando a questionar a realidade utópica do mundo meritocrático e startupeiro: esse livro é uma indicação bacana.

 
 
 

1 comentário


Pechy Nck
Pechy Nck
24 de jan.

Dank voor het duidelijke artikel. Het is motiverend om te zien hoe online entertainmentplatforms zich aanpassen om aan de uiteenlopende wensen van gebruikers te voldoen. Op de website is er extra informatie over dit onderwerp te vinden. De eerder genoemde voorbeelden geven een duidelijk beeld van de toekomst van de sector.

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